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Eclipse Total do Sol, 11-Agosto-1999
france
the sky full of clouds
O céu quando cheguei ao local.
Kodak Ektachrome E100S, Nikon F4-s, Nikkor 28mm f/2.0 AIS, filtro sky-light.
      Desde criança que demonstrei o interesse por assuntos relacionados com a ciência e principalmente, com a astronomia. No início da década de 80, a série televisiva «Cosmos» de Carl Sagan, foi decisiva e catalisadora para que me interessasse cada vez mais pela astronomia ao ponto de, em 1986 participar com um amigo e um astrónomo do Observatório Astronómico de Coimbra na observação do Cometa de Halley que passou perto da Terra nesse ano. Durante algumas noites produzimos várias fotografias do cometa das quais fizemos algumas ampliações a preto e branco. Foi a primeira vez que tive contacto com as técnicas de revelação de filmes. Dois anos mais tarde, aquando da aproximação de Marte à Terra, fotografámos o planeta durante várias semanas conseguindo até obter imagens de tempestades de areia.
    De todos os eventos do nosso sistema solar, os eclipses totais do Sol são os mais espectaculares. O dia torna-se noite em segundos e podem ser observados a olho nu, tomando-se certas precauções, não sendo necessário qualquer telescópio ou mesmo binóculos. Este tipo de eclipses, para além de raros só são visíveis ao longo de uma estreita faixa de 270 Kms de largura no máximo (neste caso, a fase da totalidade estende-se por 7 minutos e alguns segundos). O próximo eclipse total do Sol ocorrerá em Junho de 2001 e a fase da totalidade só será visível em Madagáscar, Moçambique, Zimbabwe, Zâmbia e Angola e terá uma duração máxima de 4 minutos e 56 segundos.
    Em média, cada eclipse total do Sol produz uma sombra na superfície da Terra que ronda os 200 Kms de diâmetro dando origem a fases de totalidade entre 2 a 3 minutos de duração. O eclipse de 11 de Agosto de 1999 produziu uma sombra com cerca de 110 Kms de diâmetro e cuja fase de totalidade durou 2 minutos e 23 segundos no centro da sombra perto de Bucarest, na Roménia. No local onde me encontrava, a nordeste de Paris, a fase de totalidade durou pouco mais de 2 minutos, a avaliar pelas filmagens que efectuámos nas quais ficou registado a data e hora do evento.
    Para o eclipse de 1999, reuniram-se três condições únicas e que não podia desperdiçar: seria visível perto de Portugal; aconteceria no Verão (Agosto) e, por conseguinte, com fortes probabilidades de ser observado sem nuvens; e teria a preciosa ajuda do David -um amigo meu também interessado em astronomia- que vive nos arredores de Paris e que me ofereceu alojamento. Na altura em que o David me convidou, Paris vivia dias quentes e de céu limpo, prometendo boas condições meteorológicas para observação do eclipse.

© 2000 Carlos Dias. Todos os Direitos Reservados.